Olá, amigos aventureiros! Bem vindos a minha palestra motivacional!
Jorg, o guerreiro lendário, abriu os braços para receber sua plateia e sorriu. Um sorriso perfeito e com dentes muito brancos.
— Sei que muitos de vocês já pensaram em desistir da vida de aventureiro, muitos já cansaram de bater em goblin e kobold e se perguntam quando as coisas vão ficar realmente emocionantes… Querem saber o meu conselho?
Ele perguntou para todos, mas olhou com todo seu carisma para um bárbaro sentado na primeira fila. O homem comia uma coxa de frango e parou para encará-lo com a boca ainda cheia.
— Na real… Eu só colei aqui pela boquinha livre. — O bárbaro respondeu um tanto tímido.
— Tenham um espírito livre! Isso mesmo! — Jorg prosseguiu, ignorando o comentário do homem. — Para alcançar grandes coisas o seu espírito deve ser livre! Deve voar e conquistar o mundo!
Alguém na plateia levantou a mão.
— E para aqueles de nós que fizeram um pacto com um demônio e não tem mais um espírito? — Um mago de rosto cadavérico perguntou.
A pergunta pegou Jorg de surpresa, mas ele logo recuperou seu jogo.
— A vida sempre vai te colocar obstáculos! Não tem alma?Isso não impede zumbis de levantar cedo para tentar matar alguém!
— Então eu devia ser como um zumbi? — O mago questionou, confuso.
— Não! O que eu quis dizer é que você só precisa mudar seu mindset! Pensar diferente! Chama uns amigos da sua cabala e faz um brainstorming! Inove, como acha que o poderoso Orwen da ordem dos magos rubros conquistou o sucesso?
— Com sacrifícios humanos e matando seus oponentes! — Um mago de manto escarlate sentado no fim da plateia gritou.
Jorg quase desistiu de argumentar, mas ele não podia perder a plateia.
— E ele fez isso por que? Porque Orwen é um tarrasque do mundo dos negócios arcanos! Nada fica em seu caminho! — Ele disse e então se virou para uma pessoa aleatória da plateia. — Você deve escolher um animal que represente seu espírito! Qual seria o seu?
A mulher vestida em trajes de folhas e cipó o encarou.
— Bom, sou uma druída mestre das feras. Posso ser qualquer coisa…
Jorg levou uma mão ao rosto, desesperado.
— Ok, moça. Mas se pudesse escolher um animal, qual seria?
— Eu gostaria de ser um ornitorrinco.
— Como é? — Jorg perguntou.
— Ornitorrincos são demais! — A druida disse, empolgada. — Eles tem uma audição incrível debaixo da água! E você sabia que as fêmeas produzem leite para amamentar mesmo sendo oviparas?
Jorg se virou para o bárbaro que ainda parecia mais entretido com o frango.
— Vocês precisam ser como nosso amigo aqui, forte e determinado! Aposto que o seu animal espiritual é o tarrasque, não?
O homem fez que não com a cabeça.
— Na real, o chefe da minha tribo disse que meu guia espiritual é o ornitorrinco selvagem.
A druída aproximou sua cadeira da do bárbaro e os dois passaram a conversar com muita empolgação.
— Cara, você é pessimo nessa história de coaching. — O mago de rosto cadavérico disse. — E acabo de ler sua mente, sério mesmo que você nunca matou mais do que alguns goblins???
— Aff! Que perda de tempo! — Uma garota de arco e flecha reclamou. — É a última vez que gasto meu ouro com esses coaching da vida!
Logo, toda a plateia se foi, deixando Jorg apenas na companhia do bárbaro e da druida que ainda falavam sobre o ornitorrinco.
Dando de ombros, Jorg se uniu a eles. Aquela não era a sua noite, talvez a plateia do dia seguinte fosse melhor. Antes de ir embora a druída fez uma leitura de seu espírito e descobriu que seu guia animal também era o ornitorrinco.
— Sério? — Jorg perguntou. — Será que consigo usar isso nos meus discursos? “Descubra cinco motivos para ser um ornitorrinco”… Isso dá um título curioso e até que chama a atenção…
Ele passou a rascunhar seu próximo discurso, agora só precisava pensar em cinco bons motivos para alguém querer ser um ornitorrinco.
Texto próprio, imagens geradas pelo midjourney
