A torre era negra, com trepadeiras cheias de espinhos percorrendo suas paredes e com poucas janelas. Nuvens escuras tornavam impossível ver seu topo a partir de onde Kotor, o necromante, e a bruxa vermelha Yarah estavam.
— A localização é adorável — disse Yarah.
— Sem sombra de dúvidas — concordou o necromante. — Devemos bater à porta?
A porta diante deles abriu sozinha. Um convite na forma de resposta para a pergunta de Kotor. Sem cerimônia, os dois entraram em um salão largo e iluminado por poucas tochas. De pé, diante da única escada que podia ser vista ali, um homem alto e coberto dos pés à cabeça por uma armadura vermelho-sangue os recebeu.
— Sejam bem-vindos! Meu nome é Sir Draken. Por favor, fiquem à vontade para analisar as instalações de nossa torre. Sou o representante do grupo “Sua torre, sua vida”!
Sir Draken guiou os dois por todos os andares e cômodos, mostrando com detalhes cada armadilha, sala de tortura, ninho de monstros e tudo o que havia de melhor no lugar. Kotor e Yarah o acompanharam, maravilhados com tudo o que viam.
— Então, o que acharam? — questionou o cavaleiro de armadura rubra ao chegarem ao terraço da torre. — Daqui é possível admirar a tempestade e ver boa parte do reino, não?
Draken esperou para que o necromante e a bruxa absorvessem todo o horror à sua volta. Em seu manual de vendedor de imóveis, havia toda uma página dedicada à estratégia “Deixe o imóvel se vender sozinho”.
— O lugar é maravilhoso! Eu odiei, acho que finalmente encontramos a torre ideal. O que acha, Kotor? — disse Yarah.
— Muitos casais procuram esta torre, vocês deram sorte de encontrá-la vaga. Desejam comprar ou alugar? — perguntou Draken.
O necromante encarou o cavaleiro.
— Não somos um casal, apenas parceiros de negócios. E desejamos apenas alugar, pelo menos por enquanto. Se gostarmos do primeiro ano de estada, certamente a compraremos — disse ele.
Yarah sorriu e complementou:
— Temos que ter certeza de que é o lugar certo antes de investirmos tanto. Hoje em dia, todo bom vilão precisa de uma torre para poder colocar seus planos em prática. Sem uma torre, você não é um bom vilão!
Draken riu, exatamente como seu manual indicava que deveria fazer no capítulo “O cliente sempre tem a razão, não importa quão imbecil seja”.
— Compreendo, vocês estão cobertos de razão. Os preços realmente estão em alta devido à quantidade de vilões procurando por torres do mal no mercado. Oferta e demanda, certo?
Kotor e Yarah gastaram mais alguns minutos apreciando a vista horrorosa.
— Acho que meus aventureiros vão adorar ser torturados aqui — disse ela, analisando as correntes no chão do terraço, onde poderia prender um de seus convidados indesejados.
— A acústica no interior vai amplificar os gritos de dor, acho que esse é um ponto forte deste lugar. Além do mais, o cheiro de mofo dá um toque único e muito peculiar — comentou Kotor. — Quanto?
Draken retirou um pergaminho de seu cinto e mostrou aos dois a quantia pelo aluguel.
— Me parece justo — disse Kotor.
— Negocie antes de aceitar, seu idiota! — censurou-o Yarah. — Você não sabe dar valor ao seu dinheiro! Lembra a grana absurda que pagou naquele pântano patético que comprou no ano passado? Nem mesmo goblins têm medo daquele lugar!
O cavaleiro riu e então perguntou ao necromante:
— Tem certeza de que não são um casal?
Os três riram, como só vilões sabem rir, e então iniciaram a fase de barganha para encontrar um valor que todos pudessem aceitar para fechar o negócio.
O manual de Draken deixava claro: “Faça-os pensar que estão no controle”; mas, no final, ele sabia que os dois pagariam o preço que ele pedia. Torres do mal realmente eram uma moda entre todos os vilões do reino e, como os dois haviam dito: sem uma torre, você não é um bom vilão!
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