Era uma noite de sonhos ruins, mas a curiosidade do escritor pode ser mais assustadora do que o pior dos pesadelos!
Acordei me perguntando porque a minha cama estava no meio de uma pequena ilha de pedra, que flutuava em um mar feito águas negras mais fedidas do que bueiro de esgoto em um dia quente de verão.
— Isto aqui não é muito normal… — Disse, para ninguém além da minha pessoa.
— Você não faz ideia do que significa ser normal, pequeno mortal! — Uma voz horripilante me respondeu e tomei um susto tão grande que quase pulei na água.
Meu interlocutor era uma figura esquelética (literalmente!), vestida em um manto escuro. A caveira segurava uma foice flamejante em uma mão e uma coleira na outra.
Preso na coleira, um Dragão colossal sorria para mim com dentes de navalha. Mesmo aterrorizado eu só conseguia me perguntar como uma coleira tão pequena podia prender um bicho daquele tamanho.
E foi aí que me toquei. Eu não estava acordado, não mesmo, aquilo era apenas um sonho ruim e esquisito.
Como escritor, me vi obrigado a aproveitar a situação.
— Nossa! Minha imaginação deve estar a mil! Olha só os detalhes no visual de vocês!
Me aproximei da caveira e do dragão e acho que minha empolgação os deixou desconfortáveis porque o dragão rugiu e seu dono tentou me fatiar com sua foice.
— PARA TRÁS, MORTAL! COMO OUSA TENTAR TOCAR NO DRAGÃO QUE COME UNIVERSOS? — A caveira disse em um tom que eu só atribuiria a um poderoso vilão. — FAZ IDEIA DE QUEM EU SOU?
Eu me sentei e peguei meu pequeno caderno de anotações. Ele estava no bolso da minha calça, é claro.
— Não faço a menor ideia, meu amigo. — Respondi. — Mas me conte tudo, não poupe nenhum detalhe. Vou iniciar a sua ficha de personagem agora mesmo. Quem sabe não possa te encaixar no conto que preciso entregar no mês que vem…
Uma ventania causada pelo bater de asas do dragão que come universos quase me fez sair voando.
— Calma ai, meu amigo alado! Eu também vou fazer uma ficha sua! — Reclamei. — Não sou muito chegado a histórias de fantasia medieval, mas posso abrir uma exceção no seu caso. Agora, me diz, ao comer universos… você os tempera com alguma coisa ou apenas… sei lá, come sem nem cozinhar?
A caveira olhou bem fundo nos meus olhos.
— Você é um mortal muito esquisito. — Declarou e então pulou nas costas de seu dragão. — Vamos embora daqui, Devorador de universos! Vamos para longe deste… Deste… MONSTRO E DE SUAS PERGUNTAS INCONVENIENTES!
Os dois voaram para longe de mim e o rabo do dragão bateu no chão antes de se afastar, destruindo minha pequena ilha.
Cai no mar negro e dei de cara com o chão. O barulho estridente do meu despertador era a única coisa que consegui ouvir ao ficar de pé.
— Puxa vida, eles nem me deram uma ideia do background deles. — Resmunguei. — Bom, acho que vou ter que inventar tudo do zero. Ser escritor não é fácil…
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O raio solar explodiu o Vaticano e meus ouvidos não tardaram a ouvir os gritos desesperados dos fiéis. Abaixei meu punho e esperei minhas energias recarregarem o suficiente para invocar o próximo tiro.
Talvez você não entenda meus motivos, mas você não estava lá quando Deus proferiu suas primeiras vontades para a criação, estava? Eu e meus irmãos ouvimos a vontade do Pai, ouvimos e executamos porque foi para isso que ele nos criou. Anjos, pelo menos os primeiros de nós, não somos nada além de uma força ligada a uma vontade.
A vontade dele.
Então, depois que Deus se foi, você consegue entender o problema que isso criou? O que criaturas dotadas de tanto poder podem fazer quando aquilo que dirige suas ações vai embora? O que é uma ferramenta sem a mão que a conduz?
Se você está se perguntando, não, Anjos não lidam bem com questionamentos sobre o sentido de sua existência. Não somos humanos, isso é um problema exclusivo de vocês. Nós tomamos uma decisão e continuamos a agir.
Cada um de nós buscou uma nova vontade para usar como guia de nosso poder. Eu escolhi seguir a vontade que reside no coração dos homens. Quer saber o que a vontade de vocês me pediu para fazer?
Bom, sugiro que escute os gritos nas ruas.
Eles são auto explicativos.
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Laurence entrou no beco com cautela. Não precisou ir longe para que seus sentidos mágicos o alertassem para a primeira coisa fora do normal. Seus olhos foram atraídos para uma velha caixa de papelão. Por ser sensitivo e por estar prestando atenção, notou o corpo do homem que se espremia ali dentro em busca de calor. Não fosse a intenção de procurar, teria acreditado que aquilo era apenas lixo.
— Muito bem, que tal me dizer quem é você e o que ele lhe deu? — O mago questionou, se ajoelhando perto do espírito.
O homem o encarou como um animal raivoso.
— Não pode entrar aqui! Este lugar é meu! — foi sua resposta.
Em um piscar de olhos Laurence não se encontrava mais em um beco. No lugar disso havia um enorme arranha céu, as portas duplas estavam fechadas. Seguranças de terno e sem rostos faziam a guarda.
— Nosso senhor é um homem ocupado e não pode falar com você. Talvez tenha mais sorte se voltar daqui a uma eternidade e com hora marcada. — Um deles lhe disse, mesmo sem ter boca.
Laurence sorriu.
— Suponho que cada homem deseje ser rei em seu castelo. Foi isto que recebeu dele?
Aquela alma raivosa era apenas uma entre várias que abraçaram a morte naquele beco sujo. Um lugar onde os sem lar eram esquecidos e largados para apodrecer junto ao lixo atirado pelas janelas. Homens de respeito se isolavam em suas torres, sem tempo para desperdiçar com os que sofriam. Dava para entender o rancor daquele espírito e o mago via o que o demônio que espreitava a cidade tinha dado em troca de uma ligação espiritual. Uma ligação que lhe permitia andar pelo mundo.
— Diga a seu senhor que terei que entrar sem um convite. Temos assuntos muito importantes a tratar.
Ele tinha que desfazer a ligação daquele espírito com o demônio e não tinha muito tempo. Outros naquele beco haviam feito uma barganha similar e ele tinha uma longa noite pela frente. Quantas ligações seria capaz de desfazer antes de seu verdadeiro alvo se dar conta de seu jogo?
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— Isso é, de longe, o briefing mais idiota que já li na minha vida. E olha que eu estive na invasão da Rússia em 2033! — Nako reclamou pela quinta vez na noite depois de terminar de fumar o vigésimo cigarro daquele dia.
O mercenário não estava de bom humor e Lessa, parada ao seu lado, desejou que o colega não estivesse armado com uma submetralhadora com munição suficiente para matar um exército de Trolls raivosos. Pelo menos não quando só o que ela tinha era uma velha remington e um punhado de feitiços de combate que ela com certeza não teria tempo de conjurar se o mercenário resolvesse surtar como fazia de vez em quando.
— Cala a boca e faça o trabalho. O pagamento é bom o suficiente para fazermos isso sem questionarmos o empregador. — Yono respondeu sem tirar sua atenção das plantas e códigos que passavam por sua lente de realidade aumentada.
O hacker deu uma última olhada para a tela de seu celular e um leve movimento de cabeça fez seus companheiros compreenderem que a missão iria começar.
— Estão nos dizendo que debaixo daquele restaurante idiota os caras servem lamen, biscoitos da sorte e no fim do turno alimentam um protótipo de Godzilla que vive bem debaixo da população de Nova Tóquio. Isso não te soa no mínimo peculiar? — Nako questionou o Hacker.
— Achei que esses biscoitos eram coisa da china. — Lessa comentou.
— Não, eles não são. — O mercenário retrucou.
Yono guardou o celular no bolso da jaqueta branca e respondeu.
— Cara, pelo que estão nos pagando eu não faria perguntas nem se me dissessem que o Ultraman está dormindo com sua mãe. Agora pare de chorar feito um amador e vamos acabar logo com isto. De acordo com nosso querido empregador, temos vinte minutos antes que o mundo acabe e não somos os únicos que estão vindo invadir este lugar.
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— De acordo com os registros do computador… — Nathan disse enquanto lia os dados na tela do sistema de navegação da cápsula temporal. — É, esses senhores armados do lado de fora são da extinta Scotland Yard!
Ao seu lado, Boris preparou as cápsula não letais de seu canhão de plasma.
— Animador, cara. Simplesmente animador! — disse em meio a resmungos.
— Será que eles vão aceitar nos ouvir antes de atirar? — Laura perguntou para ninguém em especial.
Nathan riu.
— Se o Boris não tivesse estacionado nossa máquina do tempo em cima de três pessoas dentro do parlamento inglês… quem sabe?
— Tá reclamando demais para um idiota que nem sabe pilotar! — Boris retrucou.
Laura suspirou e ficou imaginando se os outros viajantes estavam tendo tanta sorte quanto eles. Esperava sinceramente que não. A missão já não era das mais fáceis: Localizar o famoso assassino Jack o estripador, que foi o único mago capaz de fechar os portais para os mundos inferiores, impedindo uma invasão de demônios na terra. Uma invasão que ocorreu em 2099, motivo pelo qual eles estavam ali, no século XIX.
— Parem de brigar como dois adolescentes. Nós precisamos encontrar Jack e descobrir como ele lidou com os demônios neste século. — A garota disse, como que para lembrar seus companheiros o porquê de sua pequena discussão ali ser sem sentido.
— Eu já disse que esta missão é idiota. Não vamos impedir a invasão, ela é o motivo pelo qual viajamos no tempo. Se estamos aqui é porque ela já aconteceu. — Julian, o quarto integrante do time, finalmente se pronunciou.
— Por que trouxemos esse cara mesmo? — Boris revirou os olhos.
— Ele é o último descendente vivo de Jack o estripador, precisamos dele vivo para que a bússola genética funcione. — Laura lembrou.
Boris pareceu pensar no assunto, o fato de não ter atirado em Julian disse muito sobre suas conclusões.
— Ok, vamos logo acabar com isto. Está na hora de lidar com nossos amigos lá fora e encontrar Jack.
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Esta é uma aventura escrita para Savage Worlds, considerando um grupo de 4 a 5 personagens de nível iniciante. Para usar este material você vai precisar do módulo básico do Savage Worlds edição aventura. O jogo é comercializado aqui no brasil pela editora Retropunk e você pode comprar o livro diretamente no site da editora, clique aqui para ir à página do livro em formato pdf.
A proposta da aventura
A organização de investigadores de casos paranormais de madame Dorotea descobre que uma série de casos de assombrações ao redor do país está relacionada a misteriosos retratos feitos pelo famoso fotógrafo do século 19, Vincent Degrassi. Após rastrear a origem das vendas das peças amaldiçoadas até a pequena cidade de Clifton Springs, no interior de NY, um grupo de investigadores se prepara para ir a cidade e descobrir mais sobre o caso.
Os jogadores são os membros desta equipe e pelo menos um deles deve ser capaz de lidar com poderes arcanos (Antecedente Arcano: Magia), também recomendo que ao menos um personagem tenha foco em combate e uso de armas. Todos os personagens devem pertencer ao nível iniciante.
A família Degrassi, do auge à ruína
A família Degrassi, no passado, viveu na riqueza. Vincent era considerado o melhor no ramo dos retratos fotográficos, fez trabalhos para inúmeras famílias de alto status nos estados unidos e chegou até mesmo a ir para Europa, onde fez retratos para a nobreza inglesa. Com o passar dos anos um péssimo gerenciamento de recursos reduziu consideravelmente a riqueza da família e nos dias de hoje tudo o que sobrou passou para o último Degrassi. John Degrassi, um medíocre pintor de Chicago, recebeu a sua herança de seu pai, Dereck Degrassi. Este lhe deixou uma certa quantidade em dinheiro e a casa da família em Clifton, NY.
O trabalho secreto de Vincent Degrassi
Vincent não era apenas um artista e fotógrafo, ele era também um membro da rosa cruz e estudioso do mundo dos espíritos. Ele e um grupo de amigos descobriram que alguns espíritos, quando passavam tempo demais presos no nosso mundo sem conseguir seguir em frente, acabavam se tornando criaturas violentas demais para serem auxiliadas por rituais comuns de exorcismo, eles os chamaram de “Almas escurecidas”.
Almas escurecidas sempre assombravam lugares, objetos ou até pessoas com as quais criavam uma ligação que lhes permitia ficar no nosso mundo. Vincent encontrou um modo de aprisionar estes espíritos em seus retratos fotográficos e desenvolveu a obsessão por colecionar almas perturbadas desta natureza. Ele utilizava um ritual de sua autoria ao criar seus retratos, removendo a ligação da alma escurecida com sua âncora original e replantando-a nos seus retratos. Depois de todo seu trabalho o mago colocava seus retratos em sua coleção, armazenada de forma a impedir que os espíritos ali aprisionados pudessem voltar a perturbar outras pessoas (veja mais sobre este processo adiante).
Vincent se considerava um herói e tornou sua missão pessoal colocar em retratos a maior quantidade de almas escurecidas quanto fosse capaz. Com sua morte, sua coleção de retratos malditos passou para seus filhos e um deles sempre se tornava o guardião desta prisão espiritual para que as almas ali deixadas não pudessem retornar ao nosso mundo.
A mansão Degrassi
O velha mansão em Clifton pertence a família Degrassi desde o século 19 e foi onde Vincent Degrassi passou seus últimos dias. Um salão secreto na casa, localizado no estúdio que Vincent usava no sótão da mansão, guarda os retratos amaldiçoados que o artista criou e toda geração costumava ter um guardião para tais objetos. No entanto essa tradição se perdeu com a morte prematura do pai de John, e infelizmente ele nunca contou ao filho sobre o fardo da família Degrassi.
Os magos da família Degrassi
Os estudos arcanos da família sempre foram passados de geração a geração sempre ao primogênito da família. A tradição foi quebrada com Dereck Degrassi, que decidiu que seu único filho, John, não tinha espírito para a coisa e o expulsou de casa esperando que a vivência no mundo o deixasse mais forte.
Mas na verdade, o motivo era que Dereck não queria ver o filho ter a vida sombria que ele mesmo teve. Dereck tentou contactar John nos seus últimos anos de vida, mas não teve sucesso. O filho revoltado o ignorou e nunca tentou se reaproximar do pai. A morte de Dereck foi uma verdadeira fatalidade, ele teve uma parada cardíaca repentina. A doença é genética. Dereck nunca teve a chance de falar a John sobre seu legado.
Pior que uma alma escurecida… Xaphan, o anjo caído das chamas celestiais
Uma das almas que Vincent aprisionou ao longo de sua carreira como caçador de espíritos é na verdade um demônio chamado Xaphan, o responsável pelo fogo dos céus do inferno. Quando Vincent compreendeu a verdadeira natureza de Xaphan ele e seus amigos reforçaram o ritual do retrato usado para prender o caído com mais uma série complexa de travas espirituais.
Xaphan quer a muito tempo se libertar da prisão onde está mas precisa que o ritual de libertação desenvolvido por Vincent e seus companheiros seja realizado. O retrato que aprisiona Xaphan foi danificado quando John encontrou por acidente a coleção dos quadros Degrassi e pelo menos parte da consciência do anjo caído consegue sair para explorar os arredores de sua prisão. Ele está manipulando todos eventos desta aventura para conseguir sua liberdade. Xaphan tentou fazer com que John o libertasse, mas ele não tem o conhecimento necessário para ler as anotações do grimório de Vincent Degrassi. Por isso o anjo caído decidiu atrair a atenção de alguém que possa ajudá-lo a escapar definitivamente de sua jaula mística.
O plano de Xaphan basicamente se apoiou no desejo mesquinho de John por dinheiro. Ele deu ao herdeiro dos Degrassi a ideia de vender os quadros das almas perturbadas para colecionadores exóticos, usando de uma leve influência mental em John para que este danifica-se “sem querer” alguns dos quadros durante o envio ao destinatário. Uma vez danificado (basta até mesmo o menor dos corte no retrato) o retrato aos poucos perde a capacidade de manter o espírito em seu interior e isto coloca em risco todos próximos do retrato. Xaphan sabe que eventualmente algum ocultista irá investigar o caos que ele está armando e então ele irá ajudar os investigadores a encontrar o escritório secreto dos Degrassi junto do antigo Grimório de Vincent, onde estão as anotações sobre o ritual para prender e libertar uma alma e também a si mesmo.
Uma vez que os personagens jogadores estejam na mansão, Xaphan irá tentar se apoderar da mente de um dos personagens. Tão logo consiga, ele irá levar sua marionete mental até o estúdio Degrassi e usara o corpo do investigador para executar o ritual que irá abrir as portas de sua prisão.
Manifestação física: Mesmo dentro de sua prisão a brecha causada no quadro onde está contido permite que Xaphan use seus poderes mentais à vontade dentro da mansão e uma vez por dia o anjo caído pode criar uma versão menor de sua forma física. Devido a estas limitações Xaphan apenas irá se manifestar no nosso mundo caso tenha que se livrar de uma ameaça de forma direta.
Movimentação: 5, Aparar 6, Resistência 9, Tamanho 1 (somente em sua forma física de demônio)
Garras e presas infernais: Dano Força+d10.
Marionetes mentais: Xaphan é capaz de manipular de forma sutil (implantando imagens e ideias na mente de seu alvo) pessoas ou animais que se aproximem demais de sua prisão ou de alguém que ele já tenha influenciado com sucesso anteriormente. Faça um teste de conjuração, um sucesso permite implantar uma ideia, ampliações permitem inserir uma ideia a mais por cada ampliação.
Cavalgar a mente: Uma versão mais forte de seus poderes mentais. Com esta habilidade Xaphan consegue controlar um alvo como se fosse sua marionete. Um teste resistido de conjuração contra o espírito do alvo deve ser feito a cada turno para que o caído consiga manter seu controle. Este poder só pode ser utilizado em alvos dentro de um raio de 3 metros a partir do quadro onde Xaphan está aprisionado.
Itens sagrados: Xaphan tem aversão a itens religiosos da mitologia cristã, tais como a cruz, água benta, exposição direta ao sol, solo sagrado, etc. Se usada contra ele sua fraqueza o força a recuar se falhar em um teste de espírito, se a falha for crítica ele será forçado a fugir da cena por 1d4 horas. Se colocado em contato com sua fraqueza Xaphan sofrera 2d6 de dano que reduzem sua resistência a metade (arredondado para baixo).
Abismal: como não pertence ao nosso mundo Xaphan pode ser exorcizado caso o feitiço banir (ou o ritual de Vincent Degrassi, que nada mais é que uma forma deste ritual) seja usado contra ele.
Táticas em jogo: Na maior parte do tempo Xaphan irá apenas tentar convencer um dos jogadores que tenha poderes arcanos a ir até o estúdio, onde está o grimório de Vincent. Uma vez que tenha feito isso ele tentará usar sua habilidade de cavalgar a mente para forçar o personagem a executar o ritual que o libertará. O ritual é complexo e levará 3 turnos para poder ser executado. Em caso de emergência, Xaphan pode tentar quebrar o quadro de algum outro espírito da coleção de Vincent, libertando o espírito furioso para atacar os jogadores. Apenas em último caso o caído decidirá se manifestar em nosso mundo.
Não há só inimigos na casa…
O espírito de Dereck, pai de John, vaga pela mansão e tenta alertar o filho, só que este nunca aprendeu a desenvolver seus poderes e só o que consegue sentir é que a casa tem “uma vibração estranha” que o persegue. Se os jogadores tentarem se comunicar com ele, terão que convencê-lo de suas intenções para fazer com que ele não os ataque. Em vida Dereck era um ocultista paranoico e perturbado. Morrer não o melhorou em nada, inclusive, sua mente está um pouco confusa por causa de sua condição e isso o faz ver quase tudo e todos como inimigos.
Xaphan sabe que o espírito de Dereck está na casa mas não sabe como, já que o corpo foi cremado (algo que ele providenciou, convencendo John a fazer isso. Originalmente ele ia ser enterrado ao lado da esposa na cripta da cidade). Dereck tem uma âncora formada com partes de seu cabelo e unhas em um vaso antigo na biblioteca pessoal dele. Caso sua âncora seja destruída o seu espírito será obrigado a seguir em frente.
Este é um MATERIAL GRATUITO e sua comercialização é proibida. — Imagens geradas no Midjourney. — SAVAGE WORLDS é uma marca registrada e de direito de seus autores.
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O som de bombas, tiros e gritos tomavam conta de tudo ao redor de Tobias, mas ele nem se importava mais. Aquele era o som da guerra e já estava acostumado demais com a sinfonia de dor e desespero.
— Então, Jack. Onde eu estava? Ah, espera um pouco. Esse puto ainda não morreu.
Tobias segurou pelo pescoço o bastardo que tentou cair em cima dele. faca na mão, bastou um golpe na barriga e uma leve torção só para garantir que dessa vez seu inimigo não iria levantar.
— Desculpa pela interrupção, os Zargos nunca aprenderam o que significa educação. — O veterano da guerra dos conceitos sentou em uma pedra manchada de sangue, tirou o cantil do bolso e deu um longo gole. — Creio que estava tentando te explicar porque estamos enfiados nesta guerra de merda. Bom, acho que tudo começou quando os cientistas aprenderam a abrir portais para o Conceitual. Isto aqui é uma espécie de lugar onde pensamentos e sonhos ganham vida e surgem em algum lugar dos vastos universos que existem na criação.
Tobias soltou um longo suspiro e olhou para o céu. Aviões bombardeiros iam de lá para cá despejando caos no campo de batalha. O veterano cogitou se não seria uma boa ideia ir para um lugar menos exposto do que o topo de uma montanha.
— Você deve estar imaginando o quão idiota é fazer uma guerra em um lugar como este. Afinal, se tudo o que acontece por aqui reflete na criação… deveríamos mesmo estar matando uns aos outros e explodindo tudo por aqui? Bom, provavelmente não. Mas muitos querem ter o controle do Conceitual e todo mundo acha que está defendendo a criação, impedindo que ela caia nas mãos erradas. Como se as nossas fossem as certas.
O som de tiros e gritos de tropas subindo pela trilha da montanha fizera Tobias levantar e ficar alerta.
— Estava demorando para me encontrarem. Odeio isto aqui. Por que reclamo tanto e ainda luto? Não seja idiota, acha mesmo que soldados rasos tiveram alguma escolha nisso tudo? A guerra é o que é. E se guerras podem ser sem sentido então esta aqui é realmente a guerra mais sem sentido de todas. Não acha?
Jack não respondeu. Tobias nem se importou.
Se seu cantil, batizado de Jack, começasse mesmo a falar com ele isso significaria que realmente tudo estava perdido.
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— Mesma terrorista da semana passada? — Jaques perguntou, coçando sua barba mal feita enquanto se aproximava de Lara para poder dar uma olhada no que a Hacker da Star Cops analisava.
Lara acenou uma confirmação com a cabeça e o deixou pegar o tablet que ela tinha nas mãos. A tela mostrava o exato momento em que a lanchonete havia explodido. Dos escombros, uma mulher de cabelos vermelhos que cobriam apenas metade de sua cabeça se ergueu e caminhou para a rua como se nada tivesse acontecido. Com suas roupas praticamente inexistentes os dois puderam ver que os dois braços e uma perna dela eram feitos de algum tipo de liga metálica.
— Este é o momento em que os Greens Horns tentam pega-la. — Lara disse, chamando a atenção de Jaques para um grupo de trolls de motocicleta que estacionaram nas proximidades e desceram atirando com tudo o que tinham contra a mulher de cabelos vermelhos.
— Os desgraçados não tiveram a menor chance. — O detetive disse, vendo disparo após disparo ricocheteando no corpo do alvo dos trolls. A mulher nem ao menos olhou na direção deles, deixando a cena do crime com um pulo que a levou para o alto e para longe das câmeras de segurança que filmavam o evento.
Jaques seguiu a direção do salto com os olhos, viu um prédio do outro lado da rua e imaginou que a garota deveria ter pousado no telhado sem muitos problemas.
— É a terceira vez que ela explode algum lugar da cidade e ainda não fazemos ideia de seus motivos. Primeiro foi um armazém velho na zona dos Coelhos vermelhos, depois o escritório de advocacia na rua 5 e agora esta lanchonete. Qual é a porra da ligação? — O detetive resmungou.
Lara não lhe deu atenção e pelo modo como os olhos da garota brilhavam feito uma noite de boate, ele soube que ela não estava mais no mesmo mundo que ele. Sem se incomodar com as faltas de modos dela, ele continuou a analisar a cena do crime. O lugar em chamas era apenas uma lanchonete de quinta categoria. Será que sua criminosa tinha problemas com o cardápio deles?
Segundo os registros, a explosão fizera doze vítimas entre funcionários e clientes. Doze pessoas que viviam na pior área da cidade e para as quais ninguém dava a menor importância.
— Porque ela não tem problemas em matar inocentes dentro dos locais, mas não revida quando confrontada por gangues ou qualquer outra pessoa? — Jaques voltou a falar sozinho, um hábito que considerava marca registrada de sua profissão.
— Acho que o importante não é quem estava nos estabelecimentos, mas os lugares em si. — Lara disse, retornando de seja lá o que estivesse fazendo na Matrix.
— Finalmente encontrou algo de interessante? — O detetive quis saber.
— Pedi ajuda a uns conhecidos aqui e ali. Um deles cavou fundo e me trouxe uma conexão entre as três explosões. Cinquenta anos atrás todos estes lugares pertenceram aos laboratórios NewLife. Já ouviu falar? Não me lembro de já ter visto algo sobre eles na rede.
Jaques riu e pegou um cigarro no bolso do sobretudo.
— Eu ia ficar surpreso de você já ter ouvido falar. A New Life foi pro saco a quase trinta anos, bem antes da instalação da Matrix, dos registros forçados e da invasão extra terrestre de 3055. Com tanta coisa mais “legal” para ler e se informar, porque a garotada de hoje iria se importar com uma empresa de bio tecnologia que faliu por má administração?
Lara deu de ombros.
— Bom, agora vou ter que me interessar. Se meu contato estiver certo, nossa terrorista está explodindo antigos endereços da New Life. E adivinha o que está no lugar do departamento principal desses caras?
Lara tomou o tablet das mãos de Jaques e puxou uma imagem que fez o detetive xingar sete deuses diferentes.
— A central de energia? Ela não seria maluca. Uma explosão lá e os danos poderiam mandar metade da cidade pelos ares. – Ele disse.
— Não acho que estamos lidando com alguém em seu juízo perfeito. — Lara respondeu.
Jaques começou a caminhar de volta a seu carro e fez sinal para que a parceira o seguisse.
— Nesse caso, melhor não arriscarmos. Só que essa mulher não é algo com o que a polícia consiga lidar com as armas ridículas que nos dão. Está na hora de jogar uma recompensa no mercado negro e torcer para que algum idiota bem equipado e sem amor pela vida decida pegar o trabalho.
Uma forte chuva caiu sobre a cidade, encharcando os dois antes de chegarem até seu veículo, mas Jaques nem se importou. Se não pudesse acabar com sua misteriosa terrorista à tempo, roupa molhada seria o menor de seu problemas.
Charles e Jannet atravessaram a floresta a pé, a jovem maga não estava acostumada com trilhas como aquela e gastou quase todos os xingamentos que conhecia para amaldiçoar as raízes nas quais tropeçava com frequência. Charles, por outro lado, devia conhecer muito bem o caminho pois nem demonstrava observar onde pisava. Finalmente, a trilha terminou diante de uma enorme clareira onde Jannet sentiu uma energia poderosa, diferente de tudo que já havia presenciado antes.
— O que é este lugar? — perguntou
— O berço original das pedras do Stone Henge. — Charles respondeu, se abaixando para desenhar algo no chão de terra escura com a ponta de sua varinha mágica. — Aqui é um dos poucos lugares onde a magia ainda existe em sua forma bruta.
— Pensei que o Stone Henge fosse um ponto focal de magia. — Janet disse e se uniu ao trabalho que seu mentor fazia. Juntos os dois traçaram um círculo de conjuração, algo que ela já conseguia fazer até de olhos vendados.
— Ele é, mas a magia que existe nele é apenas um resíduo do que existe aqui. Poucos magos no mundo sabem da existência desta clareira e ninguém consegue se aproximar dela sem ter a permissão dos grãos mestres dos Ocultos.
Com o círculo concluído, Jannet olhou para o céu noturno e prendeu o fôlego quando testemunhou o nascimento de novas constelações no firmamento.
— Você não me contou muito sobre nossa missão e agora estamos mexendo com magia bruta, algo que se me recordo bem você me disse um milhão de vezes para nunca fazer. O que diabos está acontecendo Charles?
— Precisamos caçar um transgressor que viajou no tempo.
Jannet encarou seu mentor com uma sobrancelha erguida.
— Um viajante temporal não é desculpa para usarmos um poder como este. — Ela apontou para o desenho no chão.
— Normalmente não é mesmo, mas este transgressor conhece a localização exata do ritual da nova realidade e tem os meios para quebrar o encantamento.
A maga ficou quieta, a compreensão da gravidade de sua missão a atingira como um golpe no estomago.
O ritual da nova realidade, a magia mais poderosa já realizada pelos Ocultos. A magia que fez os deuses esquecerem quem eram, os condenando a vagar pela terra sem seus poderes e sem a possibilidade de interferir com o destino da humanidade. Se o transgressor estava tentando destruir o encantamento, ela nem queria imaginar a fúria com a qual os deuses iriam atacar os humanos quando finalmente recobrassem suas memórias e poderes.
— Não que eu esteja duvidando das suas capacidades e nem das minhas, mas esta não seria uma ótima hora para pedir reforços? Sei que normalmente só dois agentes operam por vez para não corrermos o risco de esgotar o pouco de magia que sobrou no mundo, mas…
— Concordo com você, não precisa se justificar. Nós vamos levar mais ajuda sim e se não me engano… — Charles olhou na direção da trilha que os levara até a clareira. — eles já devem estar chegando.
Jannet seguiu o olhar de seu mentor, sentiu a presença mágica que se aproximava deles.
— Você confia neles? — Ela perguntou.
— Claro que não, mas este não é o momento para ter dúvidas. — Charles respondeu, sério.
Ela não confiava em nenhum outro mago que não fosse Charles, mas agora iria precisar colocar qualquer desconfiança no fundo de sua mente porque medo e dúvida eram coisas que enfraqueciam a magia. Se a missão era enfrentar um transgressor capaz de colocar em alerta até mesmo os grão mestres dos Ocultos, fraqueza era algo que não poderia fazer parte do grupo de caça.
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Sir Klaus ouviu seus inimigos antes de vê-los e soube, sem dúvida alguma, que não tinha como evitar o conflito.
Ele não desejava aquela luta, mas seus irmãos não lhe deixavam escolha.
Eles tinham sua missão e ele tinha a dele.
Na pequena estrada de terra e lama dois cavaleiros de armadura completa surgiram à sua frente e um homem a pé, segurando um arco e flecha, lhe cortou o caminho de volta.
— Calma, Hylas. — Ele sussurrou perto do ouvido de sua montaria, o acariciando no pescoço para acalmá-lo. — Deixe que venham até nós, não tenho pressa para derramar o sangue de meus irmãos.
Desembainhando sua espada e posicionando seu escudo, Sir Klaus esperou. Os cavaleiros iniciaram o combate, incitando os cavalos para uma carga letal. Um erro, já que o terreno era escorregadio e traiçoeiro. Aqueles deviam ser novatos ávidos por glória. Atrás de Sir Klaus, uma flecha cantou pelo ar. Escudo erguido, ele bloqueou o projétil. A força do impacto poderia ter desequilibrado alguém não familiarizado com a eficácia do arco longo, o que não era seu caso.
Um dos cavaleiros quase foi ao chão quando seu cavalo pisou em falso, mas sua habilidade o salvou do pior. O outro conseguiu se aproximar por pura sorte.
— Morra, traídor! — Sua espada subiu, buscando a cabeça de Sir Klaus em um ataque com muita força e pouca habilidade.
Se inclinando na cela no último segundo, Sir Klaus desviou da lâmina e projetou sua espada para frente. Um encaixe perfeito por baixo do elmo de seu inimigo fez sangue jorrar. Homem e cavalo seguiram em frente, mas apenas um com vida.
O segundo cavaleiro foi mais esperto e apenas jogou seu cavalo para cima dele. Treinado, o animal ergueu as patas dianteiras e um coice acertou o escudo de Sir Klaus com força esmagadora. O impacto o arremessou contra a lama. Dor e sangue nublaram Sir Klaus por breves segundos, mesmo assim ele se colocou de pé e estocou com sua espada contra a cabeça do cavalo de seu oponente, o aço se enterrou com precisão no olho e fez a criatura correr para longe, levando seu cavaleiro e as pragas que ele cuspia.
Duas flechas passaram muito perto de Sir Klaus e uma terceira parou mais uma vez em seu escudo, agora esmagado e praticamente inútil. Ele se preparou para correr até o arqueiro, mas uma lança arremessada da floresta derrubou o homem antes que ele pudesse se mover. Flechas e lanças, também vindas da floresta, deram cabo do cavaleiro que tentava recuperar o controle de seu cavalo ferido.
— Um cavaleiro que mata cavaleiros? — Uma voz feminina, de alguém que deixava a cobertura da floresta, chamou por Sir Klaus. — Saiba que apenas nossa curiosidade o mantêm vivo. Quem é você e o que o fez perder o juízo ao ponto de atravessar o muralha dos romanos?
A mulher era alta, corpo de guerreira coberto por panos pesados e apropriados para o frio do norte, cabelos negros e trançados. Seus olhos castanhos analisavam Sir Klaus em busca de uma resposta.
Ele sabia que além da muralha de Adriano as terras eram tomadas pelos “selvagens”, o povo que era dono das terras que hoje os cavaleiros e a igreja clamavam de sua.
Retirando uma taça de ferro puro que trazia presa ao seu cinto da espada, Sir Klaus respondeu.
— Reconhece isto? — Perguntou.
O brilho nos olhos da mulher e dos outros que a acompanhavam, que agora deixavam seus esconderijos, deu a resposta a ele. Sem esperar por outra reação, Sir Klaus continuou a falar.
— Do nosso lado da muralha o chamam de Santo Graal, mas eu o reconheço pelo que é. Um erro, uma afronta aos verdadeiros deuses desta ilha. O que sobrou do caldeirão de Cerridwen. Foi um cavaleiro quem o roubou da terra do povo gentil e eu sou o cavaleiro que irá devolve-lo. Peço permissão do seu povo para que eu possa cumprir a minha missão.
— E porque você acha que vamos ajudá-lo? — A mulher perguntou, a lança em sua mão preparada para a luta.
— Porque vocês sabem que novos invasores se aproximam da Bretanha. Inimigos que Artur e nem nenhum cavaleiro pode derrotar sem a benção dos Gentis. Porque eu preciso corrigir um erro do passado e porque Avalon deve retornar ao mundo. Agora, me mate ou me ajude, a decisão é sua.
A mulher abaixou sua lança e seus aliados também. Com um olhar firme e ameaçador, ela respondeu.
— Venha conosco, sua jornada está apenas começando cavaleiro.
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