Quando desceu do carro e olhou para o que esperava por ele, Lucas soube de uma coisa com a mais absoluta certeza. Nem morto o pai o deixaria em paz.
A casa diante de seus olhos era velha e cheirava a mofo. Para piorar, estava localizada na parte mais perdida da cidade. Em resumo, ele não fazia ideia do motivo que levara seu pai a escolher construir seu lar ali.
— Não que faça diferença, agora. — Resmungou ao abrir a porta da frente.
Seu pai estava morto e agora ele precisava dar destino aquela casa e o que quer que tivesse ali dentro. Sua herança, ele pensou com amargor.
Nunca se dera bem com o pai e não se falavam desde que ele fora morar sozinho, aos dezoito. Lucas nem ao menos o visitara no hospital, nem mesmo quando lhe disseram que o velho implorou para que ele ouvisse suas últimas palavras. Apesar de tudo, o testamento deixara a pequena e velha casa em seu nome.
Tudo estava como se lembrava. Até mesmo as velhas estátuas de fadas monstruosas decoravam cada aposento. Lucas tremeu ao ver as criaturas de granito, nunca entendeu a necessidade daquelas monstruosidades dentro da casa. Elas o deixavam nervoso, logo, foram as primeiras a irem para o lixo.
Lucas não tinha a intenção de ficar para dormir, mas uma chuva forte fez o rio do bairro transbordar e ele acabou ilhado. Conformado com seu azar, deitou no velho sofá da sala e pegou no sono escutando um podcast qualquer no celular.
O miado de um gato o acordou.
Era Raziel, o velho gato do pai. Lucas e Raziel nunca se entenderam e o animal nunca havia ficado no mesmo aposento que ele por mais do que alguns minutos. Agora, o felino olhava para algo pela janela, alguma coisa que devia ser muito interessante no seu ponto de vista felino porque seu rabo não parava de balançar. Lá fora, o som de gritos agudos e bizarros chamaram a atenção de Lucas. Ele estava prestes a levantar para ver por si mesmo quando alguma coisa bateu no teto da casa.
Alguma coisa pesada.
— Você não devia ter colocado elas para fora, guardião. Vai dar um trabalho desgraçado colocá-las de volta na casa.
Lucas quase gritou ao constatar que quem falava com ele era Raziel.
Mais batidas fortes no teto o fizeram olhar para cima, preocupado.
— Faça alguma coisa, Guardião! — O gato gritou e pulou em seu colo.
— Guardião??? Do que você está falando?
Raziel inclinou a cabeça.
— Seu pai não lhe contou sobre seu legado? Bom, azar o seu. Sua ignorância não muda o fato de que fadas carnívoras estão lá fora e desejam o seu sangue. Levante logo, vamos ter muito trabalho pela frente.
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Uma resposta para “Olá, Guardião”
[…] Aqui no blog do Luis você encontra ótimos contos de rápida leitura. Em busca dos deuses é um dos meus preferidos, junto com Aya, anjo entregadora de pizza e Olá, Guardião. […]