O anão voou janela afora da taberna e todos no salão ficaram em silêncio. O que seguiria era completamente previsível, mas aquela calmaria antes da tempestade fazia parte da tradição.
A taberna do Barril gordo já testemunhara muitas brigas, mas nenhuma como aquela. Os bardos cantariam sobre aquela noite por muitos anos por vir.
Não era raro ver um anão ser arremessado pela janela, mas nunca ninguém ousaria arremessar um membro do clã Jor.
Ghor, barba cinza, o líder do clã guerreiro, observou a cena com um olhar impassível. Bebeu o resto de sua cerveja, pegou seu martelo de batalha e apontou na direção do bárbaro idiota que ousara arremessar seu primo para fora da taberna.
Terrin era um idiota, mas ele era membro de seu clã e ninguém fazia aquilo com alguém do seu clã.
— ACABEM COM ELE! — Ghor gritou e avançou na direção do bárbaro sentado no bar.
Hardak suspirou ao notar a ameaça, pegou seu próprio martelo — que era, na verdade, um barril enorme de cerveja reforçado anexo a uma barra de metal — e usou a arma para bloquear o ataque do anão.
— Precisamos mesmo fazer isso, amigos? — Ele sorriu para os oito anões guerreiros que o encaravam com fúria. Deu de ombros e suspirou. — Bom, parece que precisamos.
E então começaram os gritos, porradaria solta, mesas, cadeiras e clientes voando para todos os lados. Em pouco tempo ninguém mais sequer lembrava porque estavam brigando. Hardak tentava enfiar a cabeça de um minotauro numa panela quando o xerife Jack Stones e a guarda da cidade entraram no estabelecimento.
— Já chega! — O homem da lei comandou e todos congelaram em seus lugares.
Stones olhou para a destruição ao seu redor e levou as mãos até a testa.
— Sei que vou me arrepender de perguntar, mas o que desencadeou a briga desta noite?
Como ninguém se pronunciou, Hardak resolveu responder.
— Eu estava apenas contando como minha cerveja é a melhor do mundo e queria vender um pouco dela para o dono deste humilde estabelecimento…
— Ele insultou a honra dos anões! — Terrin urrou e chutou uma cadeira.
— Isso! Esse humano bárbaro e ignorante ousou insultar nossa cerveja! E depois insultou meu clã ao arremessar meu primo pela janela! — Ghor, barba cinza, adicionou.
O xerife voltou a pedir silêncio e então voltou toda sua atenção para Hardak.
— Você insultou este… — Ele olhou para os anões enraivecidos. — mestre anão?
Hardak levantou as mãos em sinal de rendição.
— De forma alguma, apenas disse que ele estava errado ao pensar que a cerveja dos anões é a melhor quando ele sequer provou a minha. Veja aqui, prove e me diga o que acha!
O bárbaro se apressou a abrir o barril de cerveja que usava como arma e serviu uma generosa dose de cerveja ao xerife.
Stones tomou um longo gole e então soltou um arroto satisfeito.
— Rapaz! E não é que essa cerveja é mesmo boa?
Todos ficaram em silêncio na taberna. Hardak suspirou e voltou a fechar seu barril de cerveja e o anexou de volta à barra de metal que o tornava um martelo de batalha.
— VOCÊS INSULTARAM O MEU CLÃ! — Ghor berrou e a briga recomeçou.
Hardak já estava acostumado com aquilo, muitos anos iriam se passar até que os anões aceitassem que ele e sua família de mestres cervejeiros haviam criado a fórmula da cerveja perfeita.
Até que esse dia chegasse, o bárbaro seguiria viajando para mostrar seu produto ao mundo inteiro!
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