Padre Austin parou em meio aos túmulos do cemitério pagão para observar o trabalho de seus homens. Eles estavam desenterrando corpos desde o começo da noite e colocando todos em uma pilha que logo seria incinerada.
— Deus não deve gostar do que estamos fazendo aqui. — Jonas, seu aprendiz, disse de pé ao seu lado.
O jovem acólito tremia e não apenas por causa do frio da noite.
— Os mortos estão voltando para matar os vivos e a terra está entregue a dor da praga. De quem você acha que é a culpa? — Austin respondeu, sem paciência.
— Mas nós já queimamos as bruxas, não seria cristão da nossa parte não perturbar os mortos de seu povo?
— Veja quantas coisas materiais estes pecadores levaram para seus túmulos. — O padre disse, apontando para os bens que eram retirados dos túmulos. — O pecado é tão profundo na alma deles que nem na morte conseguem abrir mão das coisas terrenas. Não, Deus não se importa com estas almas podres. Devemos queimar todos os pagãos, os vivos e os mortos. Isso irá salvar as almas dos bons e permitirá que sigam em paz ao invés de voltar para assombrar os vivos como estão fazendo agora.
O aprendiz se calou e os dois continuaram a observar o trabalho dos homens. Os sons dos trabalhos foram interrompidos por um grito de dor. Flutuando diante dos olhos de todos um dos escavadores tremia e berrava de dor. Seus membros se contorceram em ângulos errados e o barulho do pescoço quebrado levou o horror ao coração dos presentes.
— Arte do demônio! — Alguém gritou.
— Não, isto foi obra minha. — A voz de uma velha respondeu.
Parada em meio a todos uma mulher de idade, coberta de trapos e que fedia a morte olhou para todos com desprezo. Sua pele cinza mostrava os sinais de putrefação, ela era corcunda e apenas escuridão podia ser vista em seus olhos.
— Bruxa! — Um homem gritou e puxou sua espada.
Ele deu um passo para frente e então caiu, levando as mãos até a garganta. Lutava por ar e morreu em questão de segundos. Um a um os outros seguiram seu exemplo e morreram tão rápido quanto. Finalmente, apenas Austin e Jonas encaravam a bruxa. O padre deu um passo à frente e ergueu sua cruz.
A madeira do símbolo sagrado queimou em sua mão e com um gesto da mão a cabeça do padre girou violentamente e ele caiu sem vida aos pés do acólito. O rosto e o corpo virados para direções opostas.
— Misericórdia… Por favor. — Jonas se ajoelhou e implorou.
— Pare de chorar e escute, garoto. Tenho uma mensagem para seu povo. — A velha disse.
Calado, Jonas apenas balançou a cabeça para confirmar que estava disposto a ouvir.
— Vocês mataram minha gente e tomaram o que era nosso. Agora, o mundo dos mortos está cheio e não tem mais espaço para ninguém. Por isso seus mortos estão voltando, nós não os os queremos lá. Ninguém quer vocês lá. Vocês queriam o mundo? Podem ficar com ele, ninguém se importa.
— Vocês estão devolvendo os mortos à vida? — Jonas finalmente encontrou sua voz. — Deus não vai permitir que isso continue…
— Deus? Não há nenhum deus do outro lado! — A velha disse e cuspiu. — Não os meus e muito menos o seu. O mundo dos mortos é terra de ninguém e já tem problemas suficientes com tanta gente que não tem para onde ir. Apenas por isso estamos devolvendo alguns para o mundo dos vivos, só resolvemos começar com aqueles que ninguém gosta.
— Mas os mortos não devem ficar com os vivos. Não é certo!
A velha riu.
— Reclame com seu Deus. — Ela disse e começou a desaparecer diante dos olhos de Jonas. — Se você puder encontrá-lo.
O acólito caiu de joelhos e se viu só. Não demorou muito para que os homens assassinados ao seu redor começassem a se mexer. Atrás dele, o padre Austin ficou de pé. O padre morto virou para que sua face de olhos sem vida pudessem ver sua presa. A boca se abriu em um grito animal e ele começou a se aproximar dele.
Cercado de mortos-vivos, Jonas chorou e abaixou a cabeça. Pensou em pegar sua cruz, mas se o que a bruxa dissera era verdade, aquilo não o ajudaria em nada.
Talvez fosse melhor aceitar a morte. Se Deus não se importava com o que estava acontecendo, por que ele deveria?
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Paul colocou as mãos enluvadas dentro do bolso do casaco para espantar o frio. Ao seu lado os seus companheiros sofriam do mesmo mal. De alguma forma, o frio do inverno de Vancouver conseguia ficar pior diante da casa Saltman. Uma casa que era uma lenda urbana, aparecendo somente em noites de lua cheia para atrair curiosos.
Mesmo quando a família Saltman demoliu a construção, apenas um ano depois, a casa voltou a aparecer. A cada aparição, novas vítimas. Aquele era um mistério que a agência de investigação sobrenatural ORTHES S.A estava lá para desvendar.
— Será que todo mundo consegue ver a casa aqui ou apenas sensitivos como nós enxergam além do terreno baldio? — Jenna, a novata do time, perguntou.
— Pela quantidade de desavisados que já tentaram desvendar seu mistério eu diria que até mesmo descrentes conseguem vê-la. Acho que a casa gosta de ser vista. — Paul respondeu e caminhou para a entrada.
— As histórias deste lugar datam de quase dez anos atrás. Não somos os primeiros a tentar descobrir o que acontece aqui. O que te faz pensar que não seremos as próximas vítimas? — Efran, um velho policial aposentado questionou.
Paul considerou a pergunta por um tempo, o grupo já estava na sala e não demorou para a casa os recepcionar. Em um dos corredores um agrupamento horripilante de braços sem corpos tentava se aproximar deles. Cada uma das mãos parecia gritar por ajuda.
— Os que vieram antes de nós acreditavam lidar com um demônio, algum espírito perturbado ou até mesmo algo alienígena. Todos estavam errados. O que causa as idas e vindas desta casa ainda está aqui e está vivo. Eu acredito que o filho do primeiro casal a viver aqui ainda está perdido nesta casa e dentro de sua cabeça fragmentada por suas diversas personalidades. Sua magia apenas é tão caótica quanto sua mente quebrada. Ele não precisa de um exorcismo, precisa de ajuda. — Paul finalmente revelou sua teoria sobre a casa Saltman.
Jack cuspiu a fumaça do cigarro para o alto e ficou vendo seu ventilador de teto espalhá-la pelo pequeno escritório. O jornalista olhou para as fotografias e documentos em sua mesa e analisou a história que contavam.
Uma história de horror que poucos em Nova York levavam a sério. Uma história que finalmente iria provar a todos que as lendas urbanas à respeito dos esgotos da cidade eram reais.
Alguma coisa se escondia debaixo da cidade que nunca dorme. Algo antigo e que muitos desconheciam.
Três batidas de leve na porta tiraram Jack de seus pensamentos.
— Entre, a porta está aberta. — Ele sabia muito bem quem o visitava aquela hora da noite.
O velho de terno giz cinza e chapéu coco que entrou não parecia feliz, mas Will nunca parecia satisfeito com nada na vida.
Jack o conhecia apenas a alguns meses, mas apreciava a companhia do velho. Will o ajudara a encontrar muitas peças do quebra cabeça no qual trabalhava desde o começo do ano.
Poucos jornalistas das cidade levariam Will a sério porque ele era dono de um tabloide minúsculo famoso por só publicar histórias absurdas. Notícias sensacionalistas como “Aliens nos correios” e “O que não te contaram à respeito dos ladrões de túmulos do cemitério Greenland” eram o tipo de matéria com a qual o homem trabalhava. Histórias absurdas, mas que Jack começava a se perguntar se não teriam um fundo de verdade.
— O que é tão importante que não pôde esperar até amanhã, Jack? — Will resmungou ao sentar na cadeira em frente à mesa.
— Eu consegui, completei o quebra cabeças. — O jornalista apontou para seus documentos. — Sua última dica me levou ao lugar certo e agora a polícia será forçada a agir.
A expressão no rosto de Will não se alterou. De alguma forma, ele nunca demonstrava qualquer tipo de sentimento.
— Seja lá o que estiver se escondendo nos esgotos desta cidade, vamos jogar um pouco de luz sobre eles.
— Você não parece tão feliz. — Will disse após um breve momento de silêncio. — Não era o que queria? Levar a verdade até as pessoas?
Levantando da cadeira, Jack caminhou até a janela e observou a rua vazia do lado de fora.
— A quanto tempo você já sabia de tudo? — Questionou sem nem olhar para o velho.
Silêncio.
Jack quase se virou para ver se Will ainda estava sentado na cadeira quando veio sua resposta.
— Suponho que você realmente encontrou todas as peças do jogo, mesmo as que eu não te entreguei.
— O segurança do metrô que relatou ter escutado sons estranhos no túnel da linha 2 na mesma noite em que a primeira criança desapareceu. Ele sumiu da face da terra semanas depois do incidente… Era você.
Jack se virou para encarar os olhos do homem. Will estava de pé, perto da porta da saída. O jornalista não deixou de notar o quão silencioso aquele velho podia ser.
— Eu e você sabemos o perigo que se esconde por aí, Jack. Precisei cuidar das minhas costas, assim como você terá que fazer daqui para frente.
— Você me ajudou e me guiou até aqui. Qual é o próximo passo? Para quem revelamos tudo o que descobrimos?
Will, pela primeira vez, deixou sua máscara apática quebrar. A tristeza que Jack viu em seus olhos era de partir o coração.
— Agora nós escondemos a verdade e torcemos para que ninguém mais tenha que saber as coisas que sabemos. — Ele disse, colocando as mãos dentro do bolso do terno.
Jack riu.
— Nem todo mundo está pronto para lidar com o que eu e você esbarramos. Eu e alguns outros fazemos o que podemos e gostaríamos da sua ajuda, Jack. No entanto, esta não é uma guerra pela verdade. Se vier comigo, prometo que vai entender tudo.
— Você sabe muito bem que não posso fazer isso. Nunca vou deixar de levar a verdade para as pessoas, isso é a coisa certa a se fazer.
— Às vezes a mentira é uma arma tão pura e necessária quanto a verdade. — Will disse e ficou quieto.
O silêncio voltou a separar os dois até que Jack decidiu acabar com tudo.
— Se achou que eu iria me juntar a você e seu clube de segredos, se enganou. Vou fazer o que você não teve coragem de fazer, Will. Acho que não temos mais nenhum negócio para tratar.
Will foi embora com o gosto amargo da derrota na boca. Entrou no carro que esperava por ele e cumprimentou a mulher no banco do motorista.
— E o recruta? — Ela perguntou assim que ele entrou e se acomodou.
— Somos só eu você, Lara. — Will respondeu e então guardou um envelope pardo no porta-luvas.
Lara quase perguntou o que eles fariam com o jornalista Jack Kennett, mas então ela viu a fumaça saindo da janela do escritório e se calou.
O som do motor do carro abafou os gritos das pessoas no prédio quando as chamas cresceram e destruíram tudo o que tinha no pequeno escritório do jornalista.
* * * FIM * * *
Este conto é inspirado no jogo de rpg Delta Green. Um jogo sobre investigadores de horrores sobrenaturais que arriscam sua vida e sanidade para nos proteger de horrores que já estão na terra sem que ninguém saiba disso. Saiba mais sobre Delta Green no site da retropunk!
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Se você estiver lendo está carta, não compre esta casa!
Ela foi o fim da minha família, saia enquanto tem tempo. Espero que o relato que deixei nesta carta te convença a sair deste lugar maldito.
Tudo começou em uma noite de tempestade…
Sábado, 19 de Outubro de 1982
Wichita Falls, Texas
Minha filha Natalie sempre teve dificuldades para dormir em noites de tempestade. Acho que é um daqueles medos irracionais que carregamos pelo resto da vida.
Só que eu nunca a vi tão assustada quanto na última semana, acredito que tivesse algo a ver com o professor na sua escola que cometeu suicídio no banheiro. Isso e a tempestade… Acho que não posso julgar minha pequena por acordar gritando.
Esta é a terceira noite seguida e decido que não faz mal deixar que ela durma na nossa cama, mesmo com Joane reclamando. Natalie treme e se revira na cama o tempo todo, claramente inquieta . Às três da manha Joane está dormindo e eu ainda estou sem sono, esperando Natalie dormir.
— Papai, podemos contar uma historinha? — Ela me pergunta com uma voz baixa e quase chorosa.
— Claro, amor. Qual história quer que eu conte?
Ela me encara com os olhos vidrados, o som da chuva lá fora a esta aterrorizando.
— Eu conto.
Concordo com um aceno e aguardo a história sem pé e nem cabeça que a mente criativa de uma garota de seis anos pode criar.
— Era uma vez uma mulher que foi enterrada viva, acusada injustamente de bruxaria.
Natalie começa e sua fala me deixa desconcertado. Mas ela continua, sem me dar chance de interromper.
— Eles tiraram algo importante dela. Então ela decidiu que tiraria algo deles também. Ela me disse que eu poderia escolher uma alma da casa…
Eu não consigo mais me calar
— Que história é essa, filha? De onde você tirou isso? — Pergunto.
Ela apenas me ignora. Está chorando e soluçando.
— Eu tive que escolher um, papai. Me desculpa… Ou Ela ia escolher no meu lugar. E eu gosto mais de você…
Sinto um frio anormal se apoderar do quarto. Joane também, ela acorda já reclamando.
Então noto um vulto escuro de pé ao lado dela na cama. Sinto o calor da minha urina nas minhas pernas.
Tudo é muito rápido. Joane sente algo tocá-la, seu grito desaparece junto do vulto que a arrasta para as sombras do quarto e as duas desaparecem . Natalie está gritando e seu choro se mistura ao meu.
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Esta é uma aventura escrita para Savage Worlds, considerando um grupo de 4 a 5 personagens de nível iniciante. Para usar este material você vai precisar do módulo básico do Savage Worlds edição aventura. O jogo é comercializado aqui no brasil pela editora Retropunk e você pode comprar o livro diretamente no site da editora, clique aqui para ir à página do livro em formato pdf.
A proposta da aventura
A organização de investigadores de casos paranormais de madame Dorotea descobre que uma série de casos de assombrações ao redor do país está relacionada a misteriosos retratos feitos pelo famoso fotógrafo do século 19, Vincent Degrassi. Após rastrear a origem das vendas das peças amaldiçoadas até a pequena cidade de Clifton Springs, no interior de NY, um grupo de investigadores se prepara para ir a cidade e descobrir mais sobre o caso.
Os jogadores são os membros desta equipe e pelo menos um deles deve ser capaz de lidar com poderes arcanos (Antecedente Arcano: Magia), também recomendo que ao menos um personagem tenha foco em combate e uso de armas. Todos os personagens devem pertencer ao nível iniciante.
A família Degrassi, do auge à ruína
A família Degrassi, no passado, viveu na riqueza. Vincent era considerado o melhor no ramo dos retratos fotográficos, fez trabalhos para inúmeras famílias de alto status nos estados unidos e chegou até mesmo a ir para Europa, onde fez retratos para a nobreza inglesa. Com o passar dos anos um péssimo gerenciamento de recursos reduziu consideravelmente a riqueza da família e nos dias de hoje tudo o que sobrou passou para o último Degrassi. John Degrassi, um medíocre pintor de Chicago, recebeu a sua herança de seu pai, Dereck Degrassi. Este lhe deixou uma certa quantidade em dinheiro e a casa da família em Clifton, NY.
O trabalho secreto de Vincent Degrassi
Vincent não era apenas um artista e fotógrafo, ele era também um membro da rosa cruz e estudioso do mundo dos espíritos. Ele e um grupo de amigos descobriram que alguns espíritos, quando passavam tempo demais presos no nosso mundo sem conseguir seguir em frente, acabavam se tornando criaturas violentas demais para serem auxiliadas por rituais comuns de exorcismo, eles os chamaram de “Almas escurecidas”.
Almas escurecidas sempre assombravam lugares, objetos ou até pessoas com as quais criavam uma ligação que lhes permitia ficar no nosso mundo. Vincent encontrou um modo de aprisionar estes espíritos em seus retratos fotográficos e desenvolveu a obsessão por colecionar almas perturbadas desta natureza. Ele utilizava um ritual de sua autoria ao criar seus retratos, removendo a ligação da alma escurecida com sua âncora original e replantando-a nos seus retratos. Depois de todo seu trabalho o mago colocava seus retratos em sua coleção, armazenada de forma a impedir que os espíritos ali aprisionados pudessem voltar a perturbar outras pessoas (veja mais sobre este processo adiante).
Vincent se considerava um herói e tornou sua missão pessoal colocar em retratos a maior quantidade de almas escurecidas quanto fosse capaz. Com sua morte, sua coleção de retratos malditos passou para seus filhos e um deles sempre se tornava o guardião desta prisão espiritual para que as almas ali deixadas não pudessem retornar ao nosso mundo.
A mansão Degrassi
O velha mansão em Clifton pertence a família Degrassi desde o século 19 e foi onde Vincent Degrassi passou seus últimos dias. Um salão secreto na casa, localizado no estúdio que Vincent usava no sótão da mansão, guarda os retratos amaldiçoados que o artista criou e toda geração costumava ter um guardião para tais objetos. No entanto essa tradição se perdeu com a morte prematura do pai de John, e infelizmente ele nunca contou ao filho sobre o fardo da família Degrassi.
Os magos da família Degrassi
Os estudos arcanos da família sempre foram passados de geração a geração sempre ao primogênito da família. A tradição foi quebrada com Dereck Degrassi, que decidiu que seu único filho, John, não tinha espírito para a coisa e o expulsou de casa esperando que a vivência no mundo o deixasse mais forte.
Mas na verdade, o motivo era que Dereck não queria ver o filho ter a vida sombria que ele mesmo teve. Dereck tentou contactar John nos seus últimos anos de vida, mas não teve sucesso. O filho revoltado o ignorou e nunca tentou se reaproximar do pai. A morte de Dereck foi uma verdadeira fatalidade, ele teve uma parada cardíaca repentina. A doença é genética. Dereck nunca teve a chance de falar a John sobre seu legado.
Pior que uma alma escurecida… Xaphan, o anjo caído das chamas celestiais
Uma das almas que Vincent aprisionou ao longo de sua carreira como caçador de espíritos é na verdade um demônio chamado Xaphan, o responsável pelo fogo dos céus do inferno. Quando Vincent compreendeu a verdadeira natureza de Xaphan ele e seus amigos reforçaram o ritual do retrato usado para prender o caído com mais uma série complexa de travas espirituais.
Xaphan quer a muito tempo se libertar da prisão onde está mas precisa que o ritual de libertação desenvolvido por Vincent e seus companheiros seja realizado. O retrato que aprisiona Xaphan foi danificado quando John encontrou por acidente a coleção dos quadros Degrassi e pelo menos parte da consciência do anjo caído consegue sair para explorar os arredores de sua prisão. Ele está manipulando todos eventos desta aventura para conseguir sua liberdade. Xaphan tentou fazer com que John o libertasse, mas ele não tem o conhecimento necessário para ler as anotações do grimório de Vincent Degrassi. Por isso o anjo caído decidiu atrair a atenção de alguém que possa ajudá-lo a escapar definitivamente de sua jaula mística.
O plano de Xaphan basicamente se apoiou no desejo mesquinho de John por dinheiro. Ele deu ao herdeiro dos Degrassi a ideia de vender os quadros das almas perturbadas para colecionadores exóticos, usando de uma leve influência mental em John para que este danifica-se “sem querer” alguns dos quadros durante o envio ao destinatário. Uma vez danificado (basta até mesmo o menor dos corte no retrato) o retrato aos poucos perde a capacidade de manter o espírito em seu interior e isto coloca em risco todos próximos do retrato. Xaphan sabe que eventualmente algum ocultista irá investigar o caos que ele está armando e então ele irá ajudar os investigadores a encontrar o escritório secreto dos Degrassi junto do antigo Grimório de Vincent, onde estão as anotações sobre o ritual para prender e libertar uma alma e também a si mesmo.
Uma vez que os personagens jogadores estejam na mansão, Xaphan irá tentar se apoderar da mente de um dos personagens. Tão logo consiga, ele irá levar sua marionete mental até o estúdio Degrassi e usara o corpo do investigador para executar o ritual que irá abrir as portas de sua prisão.
Manifestação física: Mesmo dentro de sua prisão a brecha causada no quadro onde está contido permite que Xaphan use seus poderes mentais à vontade dentro da mansão e uma vez por dia o anjo caído pode criar uma versão menor de sua forma física. Devido a estas limitações Xaphan apenas irá se manifestar no nosso mundo caso tenha que se livrar de uma ameaça de forma direta.
Movimentação: 5, Aparar 6, Resistência 9, Tamanho 1 (somente em sua forma física de demônio)
Garras e presas infernais: Dano Força+d10.
Marionetes mentais: Xaphan é capaz de manipular de forma sutil (implantando imagens e ideias na mente de seu alvo) pessoas ou animais que se aproximem demais de sua prisão ou de alguém que ele já tenha influenciado com sucesso anteriormente. Faça um teste de conjuração, um sucesso permite implantar uma ideia, ampliações permitem inserir uma ideia a mais por cada ampliação.
Cavalgar a mente: Uma versão mais forte de seus poderes mentais. Com esta habilidade Xaphan consegue controlar um alvo como se fosse sua marionete. Um teste resistido de conjuração contra o espírito do alvo deve ser feito a cada turno para que o caído consiga manter seu controle. Este poder só pode ser utilizado em alvos dentro de um raio de 3 metros a partir do quadro onde Xaphan está aprisionado.
Itens sagrados: Xaphan tem aversão a itens religiosos da mitologia cristã, tais como a cruz, água benta, exposição direta ao sol, solo sagrado, etc. Se usada contra ele sua fraqueza o força a recuar se falhar em um teste de espírito, se a falha for crítica ele será forçado a fugir da cena por 1d4 horas. Se colocado em contato com sua fraqueza Xaphan sofrera 2d6 de dano que reduzem sua resistência a metade (arredondado para baixo).
Abismal: como não pertence ao nosso mundo Xaphan pode ser exorcizado caso o feitiço banir (ou o ritual de Vincent Degrassi, que nada mais é que uma forma deste ritual) seja usado contra ele.
Táticas em jogo: Na maior parte do tempo Xaphan irá apenas tentar convencer um dos jogadores que tenha poderes arcanos a ir até o estúdio, onde está o grimório de Vincent. Uma vez que tenha feito isso ele tentará usar sua habilidade de cavalgar a mente para forçar o personagem a executar o ritual que o libertará. O ritual é complexo e levará 3 turnos para poder ser executado. Em caso de emergência, Xaphan pode tentar quebrar o quadro de algum outro espírito da coleção de Vincent, libertando o espírito furioso para atacar os jogadores. Apenas em último caso o caído decidirá se manifestar em nosso mundo.
Não há só inimigos na casa…
O espírito de Dereck, pai de John, vaga pela mansão e tenta alertar o filho, só que este nunca aprendeu a desenvolver seus poderes e só o que consegue sentir é que a casa tem “uma vibração estranha” que o persegue. Se os jogadores tentarem se comunicar com ele, terão que convencê-lo de suas intenções para fazer com que ele não os ataque. Em vida Dereck era um ocultista paranoico e perturbado. Morrer não o melhorou em nada, inclusive, sua mente está um pouco confusa por causa de sua condição e isso o faz ver quase tudo e todos como inimigos.
Xaphan sabe que o espírito de Dereck está na casa mas não sabe como, já que o corpo foi cremado (algo que ele providenciou, convencendo John a fazer isso. Originalmente ele ia ser enterrado ao lado da esposa na cripta da cidade). Dereck tem uma âncora formada com partes de seu cabelo e unhas em um vaso antigo na biblioteca pessoal dele. Caso sua âncora seja destruída o seu espírito será obrigado a seguir em frente.
Este é um MATERIAL GRATUITO e sua comercialização é proibida. — Imagens geradas no Midjourney. — SAVAGE WORLDS é uma marca registrada e de direito de seus autores.
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Charles sentiu a dor na coluna e nos joelhos devido ao esforço contínuo. Carregar sacos de cimento e trabalhar por horas seguidas havia cobrado muito das parcas energias que tinha aos quase cinquenta anos. Mesmo com a dor, ele continuou a tampar o buraco feito em seu porão. Precisava concluir sua tarefa, por ela. Era tudo sempre por ela.
Olhou para o relógio em seu pulso, o ponteiro anunciava que faltavam quinze minutos para as duas da manhã, mas ele sabia que aquilo estava errado. O ponteiro sempre parava naquele horário quando ela o visitava.
— Acho que está bom assim, deve ser o suficiente. — Ele disse, esperando sinceramente que estivesse certo.
Se estivesse errado… preferia não pensar nisso. Guardando os equipamentos de trabalho, Charles subiu as escadas e trancou a porta do porão. Era uma tarde de verão e mesmo com todos os termômetros da cidade marcando a temperatura de quase quarenta graus, sua casa estava fria como o inverno mais rigoroso. Ele caminhou até a sala com passos resignados e sentou no sofá velho e que já começava a cheirar mal.
— Você terminou? — Anna perguntou, sentada ao seu lado.
— Sim, querida. Fiz tudo como me pediu.
— E ninguém virá me tirar de minha casa?
— Sabe que eu jamais permitiria isso. Nós juramos… — Charles olhou para a aliança de casamento em seu dedo.
O anel carregava o juramento feito no dia de seu casamento. Anna havia insistido em mudar o “… até que a morte nos separe” para “Será para sempre”. Apaixonado e feliz como estava, ele não havia visto motivo para fazer qualquer objeção.
Antes tivesse feito. Hoje ele entendia o que para sempre significava.
— Faz quase um ano que nosso filho não nos visita. — Anna disse, despertando Charles de seus devaneios. — Ligue para ele.
— Querida, já falamos sobre isso… — Charles começou e segurou um gemido de dor quando a mão dela se fechou sobre seu pulso. O frio se uniu a dor da pressão e ele quis gritar, mas teve o bom senso de matar o desejo.
— Ligue para ele, Charles. Sinto saudades, uma mãe não pode desejar ver o próprio filho?
— Quem fez o juramento fui eu. — Ele insistiu. — Será para sempre, foi o que eu disse. Essas foram minhas palavras e apenas minhas.
Silêncio.
O silêncio dela era mais assustador do que qualquer outra coisa. Charles sempre tivera mais medo do silêncio do que de qualquer outro tipo de ameaça. O silêncio dela era frio e a temperatura na sala pareceu cair muito mais.
— Existe uma parte minha e sua nele, não entende? — Anna disse, por fim. — Nosso filho sempre será parte de nós. Ligue para ele ou eu vou visitá-lo.
Charles abaixou a cabeça e chorou. Voltou a olhar para seu relógio inútil. A quanto tempo o ponteiro estava parado? A quanto tempo sua vida estava parada naquele momento?
— Vou falar com ele, querida. — Disse, submisso. Sabia que era melhor conceder do que resistir.
— Você jura? — Ela perguntou.
“Juramentos, eu odeio juramentos” Charles pensou, mas não foi o que respondeu.
— Eu juro.
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