Malek olhou para a devastação na cidade dos homens e sentiu todo o peso da guerra. Corpos de anjos e humanos cobriam as ruas, e o desespero era palpável.
— O que aconteceu aqui, Quebel? — perguntou ao seu irmão.
— Deus se foi, e os humanos desvendaram os segredos da magia. Eles conseguiram destruir a Cidade de Prata e…
— Destruíram a cidadela dos anjos? Como vocês puderam deixar isso acontecer?
— Deus nos incumbiu de proteger os humanos, Malek. — Quebel abaixou a cabeça. — Nós não podemos lhes fazer mal, mesmo que isso signifique o nosso fim.
— Onde estão os demais? — A raiva de Malek tingiu suas palavras.
— Capturados — seu irmão respondeu. — Os humanos fazem experimentos com eles em seus laboratórios.
Sem dizer mais nada, Malek começou a caminhar pelas ruas.
— Aonde você vai? — Quebel quis saber.
— Vou libertar meus irmãos e matar alguns humanos.
— Você não pode! Deus…
O olhar de Malek calou seu irmão.
— Eu sou um anjo caído, se lembra? Não me curvei perante Deus. O que te faz pensar que me curvarei perante os humanos?
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Se você escreve, sabe que o maior desafio hoje não é apenas colocar o ponto final no manuscrito, mas sim: onde encontrar as pessoas que vão ler o que eu escrevi?
Pois é, o calcanhar de Aquiles dos escritores… o tal do “marketing pessoal”.
Para ser justos, essa dor não é exclusiva dos escritores, editoras também sofrem com isso todos os dias.
Faz parte do jogo.
Agora, o Threads pode ajudar e neste problema.
Por muito tempo, o Twitter (agora X) foi o “quintal” dos escritores. Mas o clima por lá mudou, e muita gente começou a procurar uma nova casa. É aí que entra o Threads, a rede social da Meta que está se tornando o “queridinho” da comunidade literária. Mas será que ele realmente funciona para o autor (independente ou publicado tradicionalmente)? E para as editoras (grandes ou pequenas)?
A resposta curta é: sim, e talvez seja a melhor oportunidade que temos em anos.
Por que o Threads é diferente para quem escreve?
Diferente do Instagram, que exige fotos perfeitas, ou do TikTok, que demanda edições de vídeo complexas, o Threads é focado na palavra. Sim, no Threads o que vale é o texto e a forma como você o usa. E, veja só que coincidência, escritores são ótimos nisso, certo?
Mesmo com todos os altos e baixos que a plataforma teve desde que surgiu, dados recentes mostram que o Threads já ultrapassou os 200 milhões de usuários ativos e continua crescendo. O que eu sinto lá — e o que muitos especialistas estão dizendo — é que o algoritmo é muito “generoso” com quem inicia conversas genuínas.
Quer acompanhar esses dados, leia este post no Exploding Topics.
Enquanto o antigo Twitter continua a perder público, o Threads cresce e se aproxima cada vez mais de sua meta: se tornar a nova praça pública para o debate de ideias. De acordo com Mark Zuckerberg, todo esse crescimento tem sido, em sua maior parte, orgânico e natural.
Para escritores, esses dados mostram que vale muito a pena investir em sua presença na plataforma da Meta. O Threads está em sua fase de crescimento orgânico, essa é a sua janela para criar conexões com seu público.
Se você postar um trecho do seu livro ou uma dúvida sobre o processo de escrita, a chance de pessoas que não te seguem verem esse post é muito maior do que em outras redes. É um terreno fértil para o “boca a boca” digital.
Como as editoras brasileiras estão jogando esse jogo?
Algumas editoras já perceberam que o Threads é o lugar perfeito para o “fandom” literário. Elas não estão apenas postando capas de livros; elas estão conversando com os leitores.
A Flyve é bem ativa no Threads, usando a plataforma para interagir com o público através de perguntas, memes e também para anunciar os livros e projetos em que estão trabalhando.
Siga a Flyve para entrar na brincadeira e falar de livros!
A editora Rocco (@editorarocco ) também usa bastante o Threads, trazendo atividades de engajamento e para exibir seus trabalhos aos leitores. Ela se vale muito do recurso do Instagram que permite fazer postagem cruzada entre as plataformas.
A lição para o autor independente aqui é: essas editoras tratam o Threads como uma mesa de bar, não como um outdoor de propaganda. Se você fizer o mesmo, o leitor se conecta com você, o autor, e não só com o produto.
Fora tudo o que já mencionei, sabe qual é um dos tópicos mais pesquisados no Threads? Livros. Isso é o que mostra a matéria da Exploding Topics.
A comunidade BookThreads ganha novos adeptos a cada dia que passa, só falta você.
Quais autores já está por lá?
Se você entrar no Threads agora, vai encontrar nomes de peso trocando figurinhas.
No cenário internacional, autores como Stephen King costumam aparecer. Ele traz novidades sobre seus projetos e também usa sua voz para se posicionar quanto a eventos políticos e comentar a respeito de notícias de seu interesse. Gosto muito de seguir o autor, é quase como ter um bate-papo direto com ele.
No Brasil, eu trago como destaque o autor Ale Santos (@savagefiction) , autor de “O último ancestral”. Ele fala muito sobre afro futurismo, o impacto da literatura de fantasia no nosso imaginário e traz sempre tópicos que incentivam altos papos literários. Seguir o Ale é um exercício de pensamento crítico misturado com diversão, recomendo demais que acompanhe ele no Threads.
Eu também estou lá, gosto de falar sobre livros, fazer piadas e comentar sobre notícias do mercado literario e cultura pop. Me segue lá no Threads: @luis_storyteller
Dicas práticas para você começar sua jornada no Threads:
Não venda, converse: Em vez de postar “Compre meu livro”, poste “Qual dessas duas frases de abertura parece mais instigante?”.
Use a conexão com o Instagram, mas não exagere: Como as redes são integradas, é muito fácil trazer seu público de um lugar para o outro, mas foque no texto lá no Threads. Não pense no Threads como um lugar onde jogar suas coisas do Instagram, dê uma cara própria ao seu perfil e deixe que seu leitor veja seu perfil como uma pessoa com quem pode conversar de verdade.
Aproveite a “Era de Ouro”: O Threads ainda está em uma fase de crescimento onde o alcance orgânico é alto. Em 2025 e 2026, a tendência é que a plataforma comece a priorizar ainda mais criadores que geram conversas reais. Essa é a sua chance de criar uma comunidade ao redor da sua voz como escritor(a).
O Threads não é só mais uma rede social para te dar trabalho. Para o autor independente, ele é uma ferramenta de democratização. Você não precisa de um orçamento de marketing gigante; você só precisa de boas histórias e disposição para conversar com quem ama ler.
E você, já criou seu perfil por lá? Está conseguindo falar com novos leitores ou ainda está meio perdido? Vamos conversar nos comentários!
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Reyna encostou no bar e olhou para o homem enorme de cabelos e barba ruiva de pé ao seu lado. Ele não estava de bom humor. Em outros tempos, ela teria considerado aquilo um motivo para acionar reforços, mas Thor havia feito um voto de pacifismo dez anos atrás e levava sua palavra muito a sério.
— O que pode me contar sobre o que aconteceu esta noite? Ele esteve mesmo aqui? — Ela acendeu um cigarro e ofereceu outro ao Deus do Trovão.
Olhando com nojo para o cigarro, Thor recusou.
— Você devia parar com isso, Reyna. — O olhar de desaprovação dele chegava a ser um tanto cômico. Pelo menos para quem o conhecia de outros carnavais. — O câncer pode até não matar valquírias, mas ainda é uma doença horrível.
— Agradeço a preocupação, mas o que pode me dizer sobre o que aconteceu aqui?
Thor respirou fundo e apontou para o martelo de batalha em cima do pequeno palco de stand-up do bar.
— Seu amigo chegou aqui junto de Hermes, Dionísio, Loki e um daqueles caras da velha Mesopotâmia, nem lembro mais o nome do sujeito. Eles estavam mais bêbados do que Jesus depois daquela coisa com a água virando vinho.
A valquíria suspirou, imaginando a cena.
— Deixa eu adivinhar: o velho Nicolas tentou levantar seu martelo.
— Claro que tentou. — Thor bufou e começou a organizar um pouco da bagunça. O Deus levantou algumas mesas queimadas como se fossem feitas de papel e começou a juntar os estragos em um canto do salão. — Bom, depois de algumas horas sendo ridicularizado por todos que o viam tentar erguer o Mjolnir, consegue imaginar a próxima burrice da noite?
Conhecendo o velho Nicolas, Reyna nem tentou adivinhar. O “bom velhinho” era famoso por surpreender quando o assunto era criar confusão.
— O cara deu um soco na minha cara só para ver se eu ia quebrar o meu voto!
Olhando para o rosto de Thor, ela ficou muito feliz por ele ter se transformado em um sujeito paciente. Diziam que a Segunda Guerra Mundial mexera demais com ele e que isso o convencera a mudar seu estilo de vida. Claro, aquilo era só um dos diversos palpites sobre o voto de pacifismo do Deus do Trovão. Ninguém sabia a verdade e ela não estava disposta a tocar naquele assunto.
— Eu relevei a idiotice dele e estava dando a volta no bar para colocá-lo para fora quando o imbecil fez algo ainda mais estúpido!
— O que pode ser mais idiota do que dar um soco no poderoso Thor? — Aquela história começava a deixá-la preocupada, e Reyna esperou pela resposta.
Thor apontou para alguns pontos do bar que ainda estavam em chamas.
— A Pele estava aqui esta noite para se apresentar na noite de piadas. O velho Nick resolveu comprar briga com ela e… Bom, olhe ao seu redor, sei que pode imaginar o que aconteceu depois.
Amaldiçoando seu azar, a valquíria se perguntou se realmente valia a pena trabalhar para o Polo Norte, garantindo a segurança do Papai Noel. Claramente aquela seria uma noite longa, e faltavam apenas sete horas para o Natal.
— Quando me ligou, você disse que tinha uma boa e uma má notícia. — Reyna tragou o resto de seu cigarro. Ela considerou fumar outro, mas algo nos olhos de Thor a fez abandonar a ideia.
— A boa notícia é que convenci Pele a não matar o Nick. Ele está lá no estoque de bebidas, ainda inconsciente.
Surpresa, Reyna começou a andar na direção dos fundos do bar.
— Ele está aqui?! — Aliviada, ela até começou a pensar que ainda poderia ter uma chance de salvar o Natal. — Isso é uma boa notícia de verdade. Mas qual é a má?
Olhando para ela com a expressão de quem acabou de descobrir que algum idiota resolveu inventar outro fim de mundo divino, Thor respondeu:
— A Pele levou as renas com ela e eu acho que você vai ter uma noite terrível se pretende resgatá-las.
Sensacional. Aquilo era simplesmente perfeito. Não tinha como aquela noite de Natal ficar melhor. Reyna só precisava lidar com um Papai Noel de ressaca e, provavelmente, com alguns ossos quebrados, e depois teria que convencer a deusa do fogo e dos vulcões a devolver as renas voadoras.
Moleza.
— Sabe, Thor? Às vezes eu sinto falta das confusões nas quais o seu pai nos metia.
— Eu também, mas espero que você consiga salvar o Natal este ano. — Thor riu e deu um tapa amigável em seu ombro, tentando animar seu espírito imortal. — O velho Nick me prometeu uma cabra voadora nova e eu odeio ficar sem meus presentes.
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